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ENCICLOPÆDIA

BIOGRÁFICA DE

ARQUITETAS e ARQUITETOS

DIGITAL 

"EBAD" - DESDE 2015 - by Prof. Arq. Silvio Durante​

"Barroco: a arte máxima ou que pretendia sê-lo: estética do excesso e do espanto. No barroco a arte vai até o fim da sua natureza, que é ornamental, e se embriaga na própria riqueza (...) designa ao mesmo tempo o período (fim do XVI ao início do séc. XVIII) e um estilo, feito de complexidade, audácia, excesso que sempre privelegia as curvas, o movimento, as formas desequilibradas ou patéticas, com um fraco pelo espetacular e pelo estranho, ou mesmo pela ilusão de ótica e pelo artifício."

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Comte-Sponville - Dicionário Filosófico, 2003

Definição e comentários históricos-críticos
Auge, declínio e legado arquitetônico do Barroco.

O termo Barroco é de origem portuguesa e refere-se de modo genérico a uma "pérola irregular" ou ainda uma "pedra irregular" (GLANCEY, p.306, 2012). Por sua vez, o termo pode ser uma adaptação histórica de outro mais antigo vindo do latim barosus que significa "grosseiro", "pesado" e tem ligação com o termo "bárbaro". De qualquer modo, indicam uma ligação com o excesso, o exagero, o disforme e irregular.

 

Para além da semântica do termo, o barroco foi um estilo decorativo que predominou nas artes plásticas, artes aplicadas (design, mobiliário, decoração etc.) e arquitetura entre os séculos XVI e XVIII. Em termos históricos, costuma-se categorizar o barroco como o espírito artístico europeu (apesar de sua grande presença nas colônias ibero-americanas) situado entre a Contra Reforma e a Revolução Francesa.

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A arte barroca é descrita por J. Glancey (p.306, 2012) como "sensacionalista, pictórica, teatral e ilusionista. Barroco era sinônimo de brilhantes jogos de luzes e sombras, visíveis nas telas de Caravaggio e na arquitetura de quase todas as igrejas italianas construídas ou reformadas no período."  Se a pintura e a escultura do interior das igrejas e demais edifícios barrocos remetiam a esse extravagante  espetáculo visual, o exterior destes não deixava por menos. A arquitetura barroca é caracterizada pelo uso de cúpulas grandiosas, estatuárias, ênfase nos elementos de sustentação como pilares, colunas e pilastras, uso da elipse como forma geométrica fundamental (substituindo o círculo renascentista) alternância de superfícies com uso de paredes côncavas e convexas (criando nichos ou quartos), uso da perspectiva, escalonamento e coroamento das fachadas (principalmente os pórticos), quase sempre com uma estátua.

 

O contexto histórico euro-ocidental favoreceu ao barroco, principalmente pelo alcance que a Reforma luterana teve na Alemanha, juntamente com as guerras camponesas (1524-1525), as disputas com os radicais protestantes (anabatistas, calvinistas e outros) e posteriormente a Guerra dos Trinta Anos (luta religiosa entre católicos e protestantes no Sacro Império Romano-Germânico), o que levou a destruição de muitas igrejas, relíquias e obras de arte, deixando muitos templos reduzidos não apenas a uma simplicidade dos cultos, mas também sem nenhuma alegoria ou ornamentações.

 

Então a Igreja "descobre as energias ainda não utilizadas presentes na evolução das formas renascentistas" (KOCH, p.49, 2014) e inicia uma cruzada renovadora em sua arquitetura que logo entusiasma as cortes principescas de numerosos monarcas absolutistas europeus.

 

O Barroco se tornará por 150 anos, conforme aponta Wilfried Koch (p. 50, 2014), um "modelo de vida que impregna tudo: a escultura e a pintura, que se integram sem transição nem dificuldades à arquitetura; a música, que confere às cerimônias principescas e religiosas  um sumo esplendor; o mobiliário e o vestuário, al iteratura e até os penteados (...)" 

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Já a perspectiva de Emily Cole (p.256, 2014) a arquitetura barroca tinha ares de percepção sensorial persuasiva, pois "o ato de entrar em uma igreja tornou-se um experiência que estratégias simbólicas e ilusionistas apelavam tanto às emoções como ao intelecto dos fiéis."

 

Essa dinâmica arquitetônica barroca baseava-se na repetição e também na quebra abrupta da mesma, assim como ancorava-se na distorção dos motivos racionalistas clássicos do renascimento.

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O Barroco chegou na América durante o período colonial,  e se tornou único pela mistura com culturas indígenas e africanas, criando um estilo exuberante, com ornamentação intensa, contraste de luz e sombra, e uma forte presença em igrejas e cidades coloniais (como Ouro Preto no Brasil e Cuzco no Peru). Seu desenvolvimento pleno se dá no século XVIII, 100 anos após o surgimento do estilo na Europa, estendendo-se até as duas primeiras décadas do século XIX.

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Contudo a primeira manifestação de traços barrocos, se bem que misturado ao estilo gótico e românico, pode ser encontrada na arte missionária dos Sete Povos das Missões na região da Bacia do Prata. Ali se desenvolveu, durante um século e meio, um processo de síntese artística pelas mãos dos índios guaranis com base em modelos europeus ensinados pelos padres missionários.

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Um dos exemplos do barroco brasileiro pode ser melhor  contemplado na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Penitência (1767), de autoria de Aleijadinho. A pintura ilusionista do teto da nave (1802) é de um dos mais talentosos pintores barrocos, Manoel da Costa Athaide (1762-1830). Destaca-se ainda a parceria dos dois artistas nas esculturas de madeira policromada (1796-1799) representando os Passos da Paixão de Cristo para o Santuário do Bom Jesus dos Matozinhos, em Congonhas do Campo. No adro desse santuário, Aleijadinho esculpe as famosas estátuas dos 12 Profetas, feitos em pedra-sabão (1800-1805).

Na América Espanhola e América Portuguesa (o barroco no Brasil)

Entre os estudiosos da História da Arquitetura e da Arte, é consenso afirmar que o Barroco surgiu na Itália, em Roma, no século XVII, como expressão de uma Igreja Católica triunfante em um contexto de Contra reforma (COLE, p. 256, 2014). O Barroco romano deu à "cidade eterna" os elementos fundamentais de uma capital religiosa e encontrou no Papa Sisto V (e em seus sucessores) grandes entusiastas e patrocinadores desta linguagem arquitetônica. Logo as famílias romanas mais abastadas iriam adotar o barroco em suas propriedades, remodelando palácios, vilas e demais prédios.

 

Foi pela metade do séc. XVII que o estilo atingiu sua maturidade, o que alguns especialistas chamam de "Alto Barroco", atingindo outros países da Europa a partir do norte italiano, principalmente na cidade de Turim que era um centro barroco no início do séc. XVIII.

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Na França, o rei Henrique IV (1553-1610) criou uma rede de palácios para abrigar a aristocracia francesa, tornando o barroco um estilo mais conhecido entre os franceses, como foi o caso do Palácio de Luxemburo, a Face Leste do Louvre e a Igreja dos Inválidos, todos na capital, Paris. A maior cosntrução barroca da França foi o Palácio de Versalhes, levada a cabo pelo filho de Henrique IV, o famoso monarca Luís XIV. Logo, todas as villas e hôtels seguiram a tentativa de reproduzir o barroco de Versalhes.

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Na Inglaterra, o grande incêndio de Londres de 1666 devastou a cidade e a maioria dos grandes prédios da capital inglesa e sua reconstrução foi realizada adotando o barroco, embora muitos ingleses viam o estilo com certa relutância. Destacam-se a Catedral de são Paulo (1673) Igreja de São Benedito (1683) e a Biblioteca do Trinity College de Cambridge (1676-84) .

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O Barroco ficou um século e meio servindo à autoridade religiosa e monárquica de toda a Europa. Com o declínio do absolutismo, principalmente com a Revolução Americana (1776) e depois em maior grau com a Grande Revolução Francesa (1789), o classicismo vai voltar com força, influenciado em partes pelo Iluminismo e sua racionalidade flertante com o mundo greco-romano. O Iluminismo irá substituir os valores individualistas e fantasiosos do Barroco pelos valores racionais encontrados na antiguidade Clássica. Não apenas na política, artes e cultura, mas também na Arquitetura (e, inclusive, no urbanismo das cidades do séculos XVIII e XIX). O resultado será um retorno a Vitruvius e Palladio, e esse retorno criará a síntese que irá contribuir para o surgimento do movimento Neoclássico, no séc. XVIII.

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Alguns arquitetos do Barroco

- Referencias:

 

-BARROCO Brasileiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/79869-barroco-brasileiro. Acesso em: 13 de janeiro de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

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- COLE, Emily. História Ilustrada da Arquitetura. Trad.: Lívia Chede Almendary. São Paulo: Publifolha, 2014.

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- COMTE-SPONVILLE, André. Dicionário Filosófico. Trad.: Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes , 2003.

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​- GLANCEY, Johathan. Guia Ilustrado da Arquitetura. Trad.: Laura Alves e Aurélio Rebello. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

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- KOCH, Wilfried. Dicionário dos estilos arquitetônicos. Trad.: Neide Luiza de Rezende. 4a Edição. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

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Como citar este documento:

DURANTE, Silvio. O Barroco. Enciclopædia Biográfica de Arquitetos Digital - EBAD.

Título: Barroco - Documento nº: E.B.01. Disponível na Internet via: http://www.ebad.info/barroco
Última atualização: 13/01/2026. Acesso em: (inserir data da consulta)

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